Sandrinha vem d Sampa................ confiram
Das Neves
Senhor Wilson é um homem muito bom.
Trabalhou vinte anos com a Clara Nunes. Viajou pelo mundo ouvindo ela cantar. Gravou com todos os músicos que eu mencionei dias seguidos e me desafiou a perguntar outros. Tooths Thieleman, Sarah Vaughan, Michel Legrand, Sean Lennon e outros que não constam na wiki, mas que não me lembro, portanto não vou dizer.
Mas fora os que são citados na wiki, ele gravou com Ellis Regina em 1969 ao vivo no Olímpia de Paris. Sei por que vi com meus próprios olhos o nome dele escrito na contracapa do vinil. O homem é mesmo uma lenda. Uma lenda viva.
ele era músico de estúdio, ou seja, trabalhava em uma gravadora. Sendo assim, creio que ele, além de aprimorar sua técnica, teve a chance de gravar com instrumentistas e cantores de outros estilos de música.
Foi o que me disse o sambista Arlindo Cruz na porta da quadra da Império Serrano o dia que fomos visitar a escola. “O senhor Wilson levou o samba para outros estilos. Nos devemos isso a ele. Ele tem mérito por isso. Nós agradecemos, nós do samba de raiz.” ele disse. Me lembro bem daquele baixinho barrigudo, que em 2007 ainda nem era global, falando pra mim essas palavras mais ou menos assim, como eu citei.
Ele tem razão. Em 1986 quem organizou a bateria da escola de samba que iria vencer o carnaval foi nada mais nada menos que o cara, próprio Wilson. A Império ganhou com o samba que até hoje é sinônimo de samba-enredo e não nos sai da cabeça quando toca (tome um bom fôlego)“Bumbum Paticumbum Prugurundu”. Ele é foda. Organizou uma galera enorme de gente tocando diferentes instrumentos percussivos, e a escola ainda foi campeã.
Nesse dia o pegamos na saída do Canecão e fomos até a quadra da Império Serrano vermos o quanto ele é bem recebido pelos bambas de sapatinho branco que o vem cumprimentar respeitosamente como velho companheiro da escola. Ele é componente da velha guarda da escola, o que remonta aos tempos idos...
Lá... bem longe... Quando ele era um menino. Quando o pai dele colocava caixotes de madeira pra eles verem o desfile. Quando se desfilava o carnaval do Rio em outras avenidas, por volta 1950... quando as primeiras escolas surgiam... e a mãe do senhor Wilson fazia questão de torcer pra Império. E eles nem eram do morro onde ela surgiu. O pai paraibano e a mãe carioca. Bela troca.
Wilson das Neves
Ô sorte!
Esse é o jargão de Wilson das Neves.
Ele me revelou ao pé do ouvido que as pessoas confundem a quem ou a que ele se refere essa tal sorte. “Isso é pra ‘eles’” apontando as estrelas da noite, uma saudação aos tais orixás cubanos.
Ele se referia à plêiade de deus africanos da linha de candomblé da qual ele faz parte. Orixás do sincronismo africano que ganharam outros nomes herdados.
“O sábio olha pra lua” eu disse, “o too olha pro dedo”.
Afirmo muitas coisas aqui, dentre elas que Wilson é um homem religioso. Fiel ao seu deus, e crédulo naquilo em que crê.
Ele profere seu ritualístico “Ô Sorte!” olhando pro céu, agradecendo e bendizendo aqueles que o iluminam.
Quando completou meio século de idade, comemorou seu cinquentenário no Clube. [Renascença, no bairro Flamengo.
O Renascença é um clube tradicional de samba onde entrevistamos o Moacyr Cruz, aglutinador de bambas e parceiro de composição de Wilson ele dirigia o clube, nessa temporada.]
Voltando a história vinte anos, o clube já existia, e Wilson comera seus cinquenta anos lá.
Muito animada, uma amiga que com ele gravou diversas canções, a Elza Soares, vai à frente (pois lá não tem palco) e “canta a noite inteira” palavras do próprio Wilson.
Em seguida aparece um jovem que já fazia sucesso, Chico Buarque, e canta em sua homenagem, para agradar a todos.
Então, eis que acontece o inesperado. Às cinco horas da madrugada alguém que não estava entre os convidados vai à frente e desembrulha com sua voz potente de tenor, entre as mais fortes e eloquentes do país “Conceição...! vivia à toa no morro...”
Cauby Peixoto, nada mais nada menos.
Uma voz de transgressor.
Encerramento triunfal.
Então eu reafirmo, senhor Wilson é um homem muito bom.
Ele segue a vida tranquilo, colhendo o beneficio de ter sido espera simplesmente o que será o vir-á-ser.
E eu sinceramente, digo, que ele merecia mais por isso. Merecia ser lembrado como um dos instrumentistas mais geniais do Brasil.
Seu filho prodigo, Alexandre, morreu num desastre carro imprevisto. Mais um vacilo da policia do Rio que, na linha vermelha (avenida que liga a Ilha do Governador ao centro do Rio) mandou-o parar sua caminhonete e ele não conseguiu. Deslizou e capotou duas vezes seguidas. Meus pêsames senhor Wilson, meu amigo, quiséramos não relembrar.
mas eis que o nosso caro Alexandre Segundo cumpriu um grande compromisso nessa viagem ao Rio, em janeiro de 2007, sendo também filho e grande admirador do velho Das Neves, amigo e companheiro, e irmão mais velho quando me faltaram conselhos.
Devo agradecer, Alexandre, por proporcionar a chance de vivermos essa experiência mais do que uma simples pré-produção de algo. O que fazem agora para esse tal documentário, com luzes e maquiagem, é o que fizemos “no peito e na raça”.
Mas vou deixar os agradecimentos pro final, se é que essa história termina.
Penna Firme down load free
Compositor carioca, Penna Firme
vem consolidando, nos últimos anos, sua carreira profissional. Parceiro de
músicos como Bnegão, Gabriel Moura, Tiago Mocotó, Gabriel Improta, escreve
letra, em parceria com grandes melodistas, letra e música, e música instrumental.
Compõem para blocos carnavalescos, grupos, cantoras e ainda interpreta suas
próprias canções em casas noturnas do Rio de Janeiro. Em seu primeiro disco,
Penna Firme apresenta composições de sua autoria e de seus parceiros musicais.
Suas letras, sempre muito sonoras e musicais, são inspiradas em temas sociais
cotidianos e em situações amorosas. Essas, sempre bem humoradas e com certa
dose de inocência. Penna firme procura preservar a estrutura de cada gênero
musical, porém deixando sempre sua marca. As histórias dessa nova crônica
carioca transitam por diferentes estilos: do samba de raiz à gafieira, da pista
de dança à canção introspectiva.
O disco de estréia do compositor
Penna Firme, “Levando a Vida Assim”, trás ao público amante da música popular
brasileira um universo melódico e rítmico instigante e singular. Explorando
diferenciadas texturas musicais e sonoridades diversas, o autor vai do
regionalismo do samba (malandro Sarapa), até os sons mais cosmopolitas (Um
corpo Só), criando uma ambiência globalizante que realça sua poesia. Em sua
obra, o compositor elege seu cotidiano e suas experiências de vida para falar
da difícil arte de viver, retratando em suas composições seu jeito especial de
estar no mundo. Enquanto se move entre a narrativa autobiográfica, a pura
fantasia ou até o sonho, a memória e a ficção se confundem, criando uma nova
realidade. Com um olhar dirigido para o dia a dia dos indivíduos na urbe, fala
da vida agitada e impessoal nas ruas, dos amores e desamores, das pessoas e das
coisas anônimas, da falta e da busca por uma identidade, das ações simples e
repetidas e ricas em conteúdo, que às vezes não nos damos conta que realizamos.
“Todo dia é a mesma agonia, a rotina a se repetir e você não consegue pensar,
não consegue fugir…” e que, para ele, se traduz em nossos pensamentos, desejos,
emoções e sentimentos mais variados e profundos. Ao colocar-se como personagem
central desta trama existencial, o Autor acaba por referir-se, também, à
realidade na qual que vivem as pessoas em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e
por extensão, sobre a vida que, no geral, se leva nos grandes centros urbanos. Seu
trabalho é composto por dez canções de sua autoria, sendo algumas delas com
parceiros, como: Gabriel Moura, Tiago Mocotó, Gabriel Improta, Pedro Moraes,
Rafael Kalil e tem como uma de suas características a força da poesia deste
jovem e versátil compositor carioca. .. Ora de forma simples e direta, como em
“Levando a Vida”, para falar do cotidiano carioca, “eu vou levando a vida
assim, seguindo o curso natural, às vezes bem, mas outras vezes mal”, ora
utilizando metáforas para se expressar, como no bolero “Sonho Breve”, ao falar
de devaneios amorosos, “… e mergulhar em seus cabelos, penetrar os seus
castelos, desfazendo seus novelos, dar um beijo nela”. A referida produção
musical é assinada por Rodrigo Campello (Roberta Sá, Pedro Luis, Fernanda
Abreu, entre outros). Os arranjos são de Henrique Band, Luis Barcelos, Thiago
Silva, além de contar com a participação de músicos consagrados como Bnegão
(Planet Hemp), Junior Tostói (Lenine), Sidão (Seu Jorge), René Rossano (George
Israel) além da nova geração como Nina Wirtty. Este CD representa de dez anos
de trabalho do compositor e, também, reflete todo seu trabalho de pesquisa como
compositor e sua prática musical como instrumentista.
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